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21.11.07 - 12:27 AM


a luz?


que coisa, essa coisa.
coisa latente, coisa marrom, verde-musgo, preta, branca? sabe-se lá, já não sei mais a cor.

haverá luz, lenço que a tapa, energia, interruptor... ? haverá lâmpada? haverá a impressão da lâmpada, o querer se crer na luz? a luz existe, não existe, ou existe por se querer existir? ou por estar nessa imagem que se concebeu?

o que eu vejo em mim, o que ele vê em mim, o que eles vêem em mim? o que seria se não houvesse a impressão do ver? a luz, a vontade da luz, a idealização da luz. a pureza da luz? a luz-pura, a luz-toda, a luz. a luz? o preto, o código, a vontade? o sofrimento, o amor? a felicidade, a dor?


sei eu lá sobre a luz.
sei que há gente vendo luzes no momento,
enquanto escrevo sobre, a luz.


ela que, se apenas naquele momento poderia estar, se foi.






18.11.07 - 4:02 PM


o mundo por aqui é tão broxante que prefiro me abster de qualquer palavra ou ação.


acho que...





17.11.07 - 3:50 AM


Que canto há de cantar o que perdura?

A sombra, o sonho, o labirinto, o caos

A vertigem de ser, a asa, o grito... ?

Que mitos, meu amor, entre os lençóis:

O que tu pensas gozo é tão finito

E o que pensas amor é muito mais.

Como cobrir-te de pássaros e plumas

E ao mesmo tempo te dizer adeus?

Porque imperfeito és carne e perecível



E o que eu desejo é luz e imaterial.





(...)





16.11.07 - 1:18 AM





não posso encontrar sorvete de frutas naturais em açougue, não posso encontrar sorvete de frutas naturais em açougue.

mas há o gelo em comum, há o gelo em comum, há o gelo em comum.


o gelo não é suficiente, o gelo não é suficiente. eles continuarão cortando carnes, esmagando carnes frescas no escuro, com a idéia de que são geléias de brinquedo. mortes ali, vidas ali, mortes e vidas, e nós, cegos, na vida e morte em vida, ou em morte. e os gritos ali, aqueles, que poucos conseguem escutar, mas ainda, todos os gritos ali, de todo o período da vida, e a eternidade da morte e vida. e a vida gritando, querendo o colo da morte, acreditando não fazer parte de sua identidade. querendo estar à parte, querendo ser independente. a vida, aquela onipresente crise de identidade. e os gritos ecoam naquele recinto, neste recinto. aqui, no meu recinto e no recinto dos que querem encontrar sorvete de frutas naturais. presos no açougue, presos no açougue, tentando fazer algo a respeito, comendo gelo com um leve sabor de sangue para sobreviver.

o gelo é a única alternativa, então vamos, comamos mais gelos! tudo aquilo era um sonho, a sorveteria é um sonho, uma ilusão de momentos, de períodos, de nós mesmos.


e no fim, todos acreditaremos estar à parte, como a vida.
e já não sei mais como isso acaba.






14.11.07 - 2:19 AM


somos todos canibais, ansiosos pela volta daquilo que nunca sequer veio.



... e se viesse, pouco importaria: aguardaríamos o próximo ausente.





4.11.07 - 2:15 PM


os efêmeros





Ando em busca dos efêmeros. Encontro-os por todos os lados: passantes, calmos ou afoitos, vendo-se ou vendo-me. Os efêmeros são os vivos, os que podemos ver, e os fantasmas que vemos mesmo que não existam, e os que existem e não podemos ver.

Qual a cegueira que nos toca que nos impede a mira? O que eu veria se destapasse os olhos? Veria os efêmeros, os que se escondem atrás de suas próprias nucas, e a sua frente, perdidos de si mesmos, em busca de si mesmos por meio de outros. E os outros? Outros, os desistentes e os insistentes, os efêmeros com seus sapatos, saias, bolsas, máquinas de fotografar sombras, lêem livros, fazem teatro, assistem, esperam, comem, andam, olham, chegam, vêm e vão.

Os efêmeros estão por todos os lados, simples, complexos, apressados; com seus trejeitos, sorrisos, fome, seus objetos de espera, de sedução, repetem a vida, repetem a morte em vida, repetem a vida em vida, repetem a armadura que sustenta toda a vertigem. Os efêmeros formam atalhos, desvios, andam, andam, seguem leningue sempre prontos ao abismo lento ao qual demos o nome de Esperança.

Os efêmeros são feitos de sinais, filigranas, fascínio, atenção, esperas, pés no chão, amor, prazer, conversa. Os efêmeros são antípodas. Os efêmeros são a nossa imitação. Os efêmeros, os efêmeros. Os efêmeros nos perguntam e não respondem. Os efêmeros só esperam que os ajudemos a atravessar a grande vertigem sempre à espera do grande contentamento invisível. Desnudemos os olhos, queremos nossos olhos nus para que os efêmeros passem em seu cortejo triunfal em paz. Os efêmeros. Os efêmeros. Os efêmeros.

Os efêmeros somos nós.






31.10.07 - 5:57 PM


de volta à terra dos líquidos


estranho e ansioso. cinza, verde-musgo, marrom. fumaças, tóxicos, escuridão. digito uma palavra em um site de busca e imediatamente aparecem todos os temas possíveis relacionados a ela. tudo em minhas mãos, ou meus olhos, sem esforço algum. conheço e busco informações de quem eu quiser, desde um artista asiático alternativo a alguém que vi em uma festa de pessoas que não conheço. sem acaso algum, naturalidade alguma. natural, natural sim, mas um novo natural que aí nos parece ser.

já não sinto a conexão das coisas, das pessoas, das idéias. o que é sincero não se pode mais notar, e se for, em segundos se desfragmenta, desmancha. a ansiedade consumindo a todos, a vontade do que aqui está e do consumir e fazer parte de todo o universo. moléculas de água compondo um mar, querendo estar em toda a parte de toda a gigantesca parte, descontentes com o não-estar em contato com todas as outras. ansiedade consumindo a todos, de novo. e agora voltei a fazer parte, do querer fazer e ser parte, de toda a parte, a toda parte, em cada parte.

contemos até três e se nada de útil ocorrer, favor ir para a próxima seção, imediatamente. o tempo passa, o tempo é papel, dinheiro, objeto, os corpos de pessoas, idéias para sustentar seu ego e problemas.

nós, os pobres sobreviventes. a escória dos que antes eram mais naturais, interessantes e ingênuos, os quais nós mesmos decretamos a extinção, não exatamente por acaso.

concreto, prédios, sufoco. grades, janelas, vasos, remédios: tudo para separar o que consideramos natureza de nós mesmos, os independentes e superiores. quanto nojo de sermos apenas mais outros animais, não vamos admitir tamanha ignorante redução! mas o sexo, o sexo... o que é o sexo, essa atividade que nos guia e rege de forma primeira e doentia?

de volta à busca dos prazeres imediatos, da falta de construções honestas em prol de apenas uma simulação barata para os tais deleites. do consumo de tudo e todos, do materialismo bonito, eficiente e auto-suficiente, que poucos têm como assustador.


ilusório ou não, do lado de lá podíamos, nas nuvens, cantar a canção dos mortos, alegres - bem como eles mesmos -, e comer maçã direto da árvore, no campo, enquanto conversávamos sobre o próximo passo.


e pensar que há meses escolhi tal volta...






30.10.07 - 10:11 PM


you go back to her and i go back to...



o problema é que ela achava que era um organismo à parte do mundo.
ninguém era como ela, ninguém sentia como ela. ser humano algum entendia o que era viver com aquele fardo da existência verdadeira, e ela constatava tal pensamento a cada palavra que trocava, a cada festa que ia na tentativa de fazer parte deles, a cada beijo e sexo que consumia, e que acreditava ser o ápice do sentir a existência do outro. o resto era a superficialidade, a boa interpretação no espetáculo em que se vivia, a falta de crítica e noção de qualquer coisa maior do que já estava diante de seus olhos. o espetáculo como o máximo, o belo, o real, a maior expressão da capacidade.

ficava calada, já não falava mais. aceitava, andava, ia com o vento, com o mar, a corrente, a massa.
o amor havia há algum tempo se tornado algo possível apenas em outro universo - que para ela existia -, em que os seres eram mais presentes, entregues à existência e aos mil enigmas de si mesmos e dos outros. aqueles que pensam o que é, como deveria ser, o que fazer pra mudar, como se conformar por algo estar de fato corformável, como fazer seu ser ser, como trocar e destrocar e sentir-se pleno - e aquilo era belo, agradável, honesto e preenchia todas as lacunas que podiam ser preenchidas, pois era o máximo que se podia dar de si mesmo.

um sonho de quem não necessariamente praticava tudo aquilo, mas acreditava fazê-lo, pois suas teorias eram, e só elas eram, de verdade, absolutamente. e insistia nessa busca incessante de si, do si. daquilo que pulsava e impulsionava a vida de todos, a existência de cada objeto, a harmonia desarmoniosa de cada parte do universo, do outro. e como amava e odiava o outro! os calos do outro, os desamores do outro, a insegurança, desaforos, imprecisões, instabilidades, fugas, paixões, vícios... do outro.

aquele outro que não existia, mas era como um enigma e afirmação da existência de si mesma.






14.10.07 - 5:50 AM


... deixa o verão pra mais tarde.





6.10.07 - 3:13 AM


hoje, lendo uma dessas tiras de conscientização (deveria se chamar "consciente e inconscientização", mas tem algumas boas intenções, é claro) no verso de um caderno, me deparo com o famoso "cuide do que é nosso!". fiquei por uns minutos pensando em toda a idéia implícita aí, da promoção da propriedade privada, da natureza como alheia a nós, e não parte de nós - somos seus donos, estruturas à parte dela? - e até uma certa pincelada patriarcal. como há discursos por trás de tudo o que parece bem dito, exato e com boas intenções! principalmente quando há um bom desenho, colorido, bonitinho, com exclamações e todas essas firulas. a propaganda, a imagem, a publidade, a moda, a imagem, imagem, imagem. que encanto. mas vamos lá, é necessário ver além.

os discursos por trás do conhecimento, da razão, da ciência e de todos esses elementos encarados como puros pela nossa sociedade, baseados em uma metafísica do universalmente existente em todos, do belo e perfeito - e aqui entra aquela crença de que todos temos algo comum dentro de nós, em especial noções de certo e errado. conteste-a! - deve ser levado com, pelo menos a princípio, desconfiança. analisemos ao menos o que há por trás de algo que é estabelecido como óbvio e incontestável e até muitas vezes pré-condições da nossa existência. analisar a base é importante, e cada palavra de um discurso objetivo também, porque aí se encontram subjetivamente as maiores ideologias e induções possíveis. isso entra, muitas vezes, para um plano inconsciente, ou ao menos mecânico, tornando-se parte de nós e de nossos discursos, para nós ingênuos e puros, sem saber que estamos na verdade defendendo correntes, instituições e ideologias. e estas manipuladas pelos discursos "agradáveis" e aparentemente inofensivos para atender pequenos e gigantescos interesses - com finalidades de várias ordens que nos afetam diretamente - de pessoas conscientes e não, nada ingênuas.


fica meio que um apelo aos poucos que lêem meu blog, porque isto no mínimo nos fazem pessoas que *tentam* ser conscientes, autônomas, menos passivas e articuladas, para a partir daí tomar posições.
ou não.




mas enfim, para ficar mais sutil e possivelmente analisável como 'hippie' por muitos, finalizo dizendo que com sorte ainda conseguiremos fazer parte da natureza como sendo ela mesma. estamos diante de um sistema auto-destrutivo devido a essa falta de noção, pois estamos falando sobre nós mesmos aí, e não do 'nosso ambiente', alheio a nós. estamos destruindo uma das bases fundamentais para qualquer sistema de seres da natureza. aliás, não só pela falta de consciência, mas também pelo choque do nosso atual sistema socioecômico com tal base, falho e, novamente e em negrito, auto-destrutivo. e essa já é uma outra história.






24.9.07 - 9:21 PM


sabe-se lá em que terras estou.



medo.
armadilhas, golpes, contra-golpes. feridas, mortes.
ando tão desacreditada que todos são inimigos até uma segunda centésima ordem.





21.9.07 - 1:26 AM


interpretações ao molho


queria que existisse uma verdade palpável para todas as coisas e comportamentos. minhas interpretações e conceitos e os choques com outras possíveis me deixam profundamente frustrada.

humanos. simplesmente humanos. têm apenas - ou valorizam e utilizam apenas - a razão para tentar entender o que acontece. querer saber o que é verdadeiro, o que significa determinado comportamento e o que alguma pessoa realmente sente e acha de algo - um algo que nem existe mais, apenas nele mesmo. imagens, imagens. fugas, como sempre cito. nossas construções a partir de toda essa loucura. e, finalmente, interpretações e conceitos nesse molho, tentando buscar alguma coisa que não existe ou não é alcançável, por estar bloqueada de nossa percepção, e assim nela mesma.


só o molho e eles existem para nós.
tudo bem, no máximo um pingo de água que cai do copo sem querer.
e temperos, não exatamente à gosto.





17.9.07 - 12:18 AM


mas ainda vai faltar algo...





26.7.07 - 3:06 AM


Em lugar de enfrentar o conflito, voltará atrás, restaurando regressivamente, do melhor modo possível, sua persona soterrada e suprimindo todas as esperanças e expectativas que haviam florescido durante a transferência.

Torna-se-á menor, mais limitado, mais racionalista do que antes. Não se pode dizer, porém, que em todos os casos tal resultado significa uma incrível desgraça, pois são muitos os que, por sua notória incapacidade, prosperam mais num sistema racionalista do que em liberdade.

... mas sua alma rirá desses subterfúgios. Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.






24.7.07 - 12:39 AM


reforma?


de repente os mistérios desaparecem, ou se camuflam em algum lugar que não percebo, e tudo fica muito óbvio. um óbvio incerto, com gosto amargo. impossível de tragar, ou mesmo apenas deixar em um pote ao lado - se conseguisse contê-lo. tomou conta de tudo, e agora tenho que conviver com o peso da falta de peso, que é o mais pesado de todos.

transfiro tudo para mim, para meu corpo, meus sonhos, meu inconsciente, minhas impulsões.
emoção e razão. sempre separando, como se uma não surgisse da outra. ingenuidade, falta de experiência. sempre tentando buscar o puro dentro de uma impureza irreconhecível.

e eu aqui, agora calada. a passiva, porque parece melhor no momento ouvir e conviver a andar. época de recolhimento, buscando as saídas e caminhos para aí sim escolhê-las e tomar alguma decisão.

por enquanto fico aqui, observando.
quieta, muda, metida, anti-social, imparcial, sem graça, árvore, xoxa. que seja...
e assim será.





27.6.07 - 10:16 PM


clarah a.


não existe solidão maior
do que você levantar da sua cama
porque tem alguém lá.

não existe solidão maior do que falar
e não ser entendido
e ainda criar mal-estar.

não existe solidão maior do que ficar em silêncio
do que querer ficar em silêncio
e quererem que você diga algo
mesmo que não haja nada a declarar.

então eu fico sozinha comigo
que a mim eu sei suportar.





14.6.07 - 11:03 AM


os cacos





de repente as coisas se revelam mais enigmáticas do que poderiam ser até então. não, não se revelam, pois nunca são reveladas, mas apenas aparecem mais, se deslocam e perdem o que antes poderia ser funcional. se exibem, mexem-se freneticamente estando paradas no mundo físico.

e aí alguns infelizes percebem tais movimentos. infelizes como eu. infelizes que sentem, que procuram, mergulham até o fundo do mar das coisas - ou acreditam fazê-lo -, existem conscientes da existência e de suas armadilhas conhecíveis e inconhecíveis. alguns outros fingem que não percebem nada além do físico, para viverem mais sossegados e de forma objetiva. há também os têm fé no poder soberano do além-físico, jogando para ele a responsabilidade sobre os acontecimentos, preocupando-se apenas em viver no objetivo e "possível", obedecendo - ou não - a soberania como forma de contribuição.

mas quanto aos infelizes... os infelizes se cansam, sentem-se exauridos, esgotados, desprezados, jogados no canto do mundo. mas também possuem momentos maravilhosos, intensos e intensivos.


cansaço, o famoso cansaço repetitivo dos infelizes invadiu-me novamente.
cansei de tentar entender o mundo, os outros... cansei de juntar meus cacos e, principalmente, os dos outros, no escuro. caio para pegá-los, a todo momento, na esperança de que eles não me machucarão por vontade própria ou por descuido meu. ah, os cacos! tão presentes, tão ausentes... há tantos, em toda a parte, a todo o momento. e eu - a moça-cacos -, eu colho os mais afiados, mais obscuros e foscos, mais provocativos. escolho os pontiagudos, e se não houver, quebro até formá-los.

mais enigmáticos que qualquer coisa são os cacos. não se revelam nunca, pois nos cortam antes de qualquer momento extremo. no máximo conseguimos contemplá-los superficialmente. impossível navegar neles mesmos, impossível entendê-los, amá-los como idealizamos. cacos que nos iludem, nos fazem acreditar que conhecemos, presenciamos e vivenciamos suas faculdades. ah, os cacos...


eu tenho medo dos cacos, logo tenho medo do mundo... porque este só é feito deles - só?
os cacos são tudo
mas seria tudo os cacos?






17.5.07 - 1:39 AM


também é legal acordar, sentir o cheiro do dia, beber um café acompanhado de um pão sueco com requeijão e sair pelos caminhos do dia-imprevisível. sem receios, sem saber das sensações e pensamentos que me esperam. me aventurar, cair, levantar, correr, parar. dentro e fora. dentro e fora.

tanto faz no momento.



e nem preciso mais do "but sometimes - sometimes you just have to walk away".
tarólogos entendem do que entendem, tenha medo. e a vida é, só é, e algumas coisas acontecem porque acontecem e simplesmente funciona assim. remexer em tudo e chegar ao nada e à problemas existenciais, vasculhar o que não é vasculhável, se enfiar no seu próprio poço desconhecido com muito lodo e água e cabelos molhados caindo a todo momento não é a melhor alternativa. estava quase ficando naquele lugar sem saída, e a cada vez mais sem saída e no fundo. naquele lugar em que meus sentidos não mais existiam, em que nada sobrevivia àquele peso do escuro, estreito e fundo. não conseguia estimular nem minha mente, nem minhas emoções, nem meu corpo, nem nada. não saía voz alguma, não ouvia som algum - exceto o ruído constante que já me deixara sem a audição.

e nem o medo daquele escuro fazia mais sentido.






16.5.07 - 3:42 AM


o que há de haver em ti?


... e por trás do estilo de roupa escolhido a dedo, dos uniformes, dos ídolos, heróis, mitos preferidos, filmes vistos, livros lidos, ideologias, planos para o futuro, citações de erros do passado, acertos do presente e argumentos que se contradizem por visarem muitas vezes apenas um final que massageie a ti próprio e à tua interpretação de razão? o que sobra, amor? o que há de haver?

o que resta de ti, nu, em um buraco negro, sozinho, sem ninguém para conversar ou cortejar, nenhum bar, nenhuma festa, nenhum lugar para fugir? o que há - ou não há - de haver aí dentro, que não suporta sequer ser mencionado nas entrelinhas? teus desejos, tuas inseguranças, desprezos, culpas, sofrimentos e fraquezas... ? tua alma... ? o que há por trás de tuas buscas, planejamentos e fé incondicionais? o que há de incrustado, de genuíno, o que há, o que há?


o que há além e aquém da imagem que representas do que sabes que não és?






15.5.07 - 2:18 PM


vou agora, inteira, como sempre hesitei ir.
não me chame, estarei ocupada colhendo algumas frutas no caminho.

vou agora, inteira, como sempre hesitei ir
e não me chame, não me chame
estarei ocupada, desfazendo-me aos poucos

na tentativa de ir por inteira.




mas faça o que quiser com minhas partes que cairão pelo caminho
não voltarei atrás, não hesitarei
serei outra, um novo inteiro. e assim jamais tua,
jamais.





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